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Novo índice imobiliário não é capaz de constatar bolha, diz FGV

Novo índice imobiliário não é capaz de constatar bolha, diz FGV

O novo índice criado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) para mensurar a rentabilidade dos imóveis comerciais no país ainda não poderá auxiliar o mercado a identificar ou prever uma situação de bolha.

Isso porque o Índice Geral do Mercado Imobiliário Comercial (IGMI-C), lançado hoje, não possui em sua série histórica, iniciada em 2000, cenários anteriores de sobrevalorização do valor dos imóveis no país para comparação.

‘Pode estar acontecendo [uma bolha imobiliária] ou pode não estar acontecendo. Por enquanto, não dá para dizer com os dados que nós temos’, explicou o pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da FGV, Paulo Picchetti. Em outras palavras, um eventual cenário de bolha imobiliária no Brasil só será constatado após seu esgotamento.

Essa é uma limitação normal para um índice novo, avalia o pesquisador, que acredita que o tempo irá contribuir para que o indicador torne-se uma referência de rentabilidade para o mercado e também um instrumento para auxiliar a política econômica. A crise financeira internacional de 2009, que teve início no mercado imobiliário americano, mostrou, segundo Picchetti, como é importante que o governo acompanhe o setor.

No futuro, a FGV também espera que novos participantes integrem a base de dados do indicador, que é formada por um grupo envolvendo investidores institucionais e empresas ligadas ao setor imobiliário, que enviam formulários mensais à entidade. O número e nome das entidades envolvidas é sigiloso.

A ampliação da amostra permitirá, no futuro, o cálculo do IGMI-C em versões segmentadas do ponto de vista da natureza do empreendimento e da localização.

A ideia é que seja possível saber a rentabilidade de um escritório comercial na região da Avenida Faria Lima, por exemplo. Por enquanto, integram a amostra apenas 190 imóveis individuais no país, concentrados em São Paulo e Rio de Janeiro.

‘O IGMI-C está aberto para novos participantes e, com isso, a quantidade e qualidade das informações deverão crescer ao longo do tempo, como no caso dos indicadores do mercado imobiliário existentes lá fora’, compara Picchetti.

O pesquisador salienta que o índice tem como objetivo a comparação da rentabilidade do segmento com outros investimentos e o aumento da transparência, e que, desta forma, o indicador não deve ser usado como indexador de contratos de imóveis, como acaba acontecendo com o IGP-M, que é popularmente chamado de ‘índice de reajuste do aluguel’.

Fonte: G1