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Especulação imobiliária amplia limites entre bairros no Rio de Janeiro

Especulação imobiliária amplia limites entre bairros no Rio de Janeiro

Onde acaba e termina a Barra da Tijuca? Para a Prefeitura do Rio, as delimitações são claras, mas, para as construtoras, sempre há um espacinho para forçar uma “barra” e incluir Recreio e Jacarepaguá no bairro mais valorizado. A moda, que começou pela Zona Oeste, já se espalhou pela Região Metropolitana. Assim, Cachambi vira Méier, Andaraí se torna Tijuca, Centro de Niterói se transforma em Icaraí… e por aí vão se expandido as fronteiras e os preços, que ficam cerca de 15% mais caros.

De acordo com o sócio-diretor da agência Percepttiva, Rafael Duarte, o objetivo é dar mais valor ao produto e elevar os preços:

— Isso acontece em várias cidades. Alguns bairros têm um status diferenciado, e o marketing faz alusão a isso para criar valor agregado.

Nesses casos, o preço do metro quadrado não fica nem lá, nem cá. Segundo Duarte, as construtoras utilizam uma cifra intermediária.

— O metro quadrado de Jacarepaguá custa em torno de R$ 4 mil; o da Barra, R$ 6 mil. Lançamentos em Jacarepaguá que fazem uso da proximidade com a Barra podem cobrar R$ 4.500, por exemplo.

Quando o caso para na Justiça

Esticar as fronteiras com alusão aos bairros mais valorizados no material de divulgação do empreendimento não é somente comum, como legal. Mas, de acordo com o advogado especialista em direito imobiliário Hamilton Quirino, quando a prática tem como objetivo confundir o consumidor, isso passa a ser propaganda enganosa:

— A propaganda é parte integrante do contrato. Se no endereço do empreendimento estiver escrito o bairro vizinho, o leitor pode entrar com ação contra a construtora.

Para não ter que perder tempo e dinheiro com causas na Justiça, Quirino recomenda a visita ao empreendimento antes da compra, mesmo que o prédio esteja na planta.

Fonte: Extra Online | Maria Clara Serra