Área restrita

Notícias

Apagão de mão de obra afeta também os condomínios

Apagão de mão de obra afeta também os condomínios

O Globo

Entre janeiro e outubro deste ano, a taxa de condomínio sofreu um aumento de 7,72% no país, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgado pelo IBGE na última semana. Bem acima da média do indicador, que registra inflação de 4,38% no período. A maior alta registrada em oito anos — o pico, de 9,74%, é de 2003 — tem como vilão um problema que afeta outros setores da economia: a falta de mão de obra.

— Com a qualificação da mão de obra, se torna difícil encontrar profissionais para cargos mais operacionais — diz Leornardo Schneider, vice-presidente de Assuntos Condominiais do Sindicato da Habitação (Secovi-Rio).

Segundo Schneider, a folha de pagamento representa até 40% dos custos do condomínio, e, com o bom momento da economia e o nível de renda elevado, as negociações dos dissídios têm sido duras e os reajustes chegam a algo entre 7% e 10%, geralmente. Contratos de manutenção também estão pesando nas contas.

— Com o apagão da mão de obra, o condomínio que quiser contratar um bom profissional precisa oferecer salários mais altos e benefícios como vale alimentação maior, plano de saúde. Tudo isso encarece os custos — diz Edison Parente, vice-presidente comercial da Renascença Administradora.

Esse reflexo é observado nas diferentes regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE. Mesmo a menor variação da taxa de condomínio está acima da inflação: de 5,54% em Porto Alegre. Já a maior, a de Brasília, chega a 10,52%. No Rio, o aumento é de 7,66%.

Segundo levantamento feito pelo Secovi-Rio, mas só nos prédios administrados por empresas associadas, o bairro que sofreu o maior aumento nos últimos 12 meses foi a Barra, com variação de 26,13%. Jardim Botânico, com 20,22%; Lagoa (15,78%); Flamengo (11,94%) e Méier (11,83%) completam a lista dos cinco mais.

— A Barra, por ter muitos condomínios-clube, acaba tendo taxas altas, mas o grande número de unidades ajuda a conter os valores, que giram em torno de R$ 1.500. Mas em Ipanema há prédios com poucas unidades e segurança armada, com taxa que chega a R$ 12 mil — diz César Thomé, presidente da BAP Administradora.

A tendência é que os gastos no setor continuem subindo nesta virada do ano. Isso porque muitos condomínios deixam para o fim do ano o rateio das despesas com o décimo terceiro. E, no verão, o consumo de água e luz, em alguns casos, aumenta até 20%.

Confira dicas para fazer uma boa gestão no condomínio

Mas não é preciso deixar que as contas se acumulem no fim do ano. Para síndicos profissionais e administradores de condomínio, uma boa gestão pode diminuir os efeitos desses gastos maiores nos bolsos dos condôminos. Basta ter um bom planejamento, dizem eles.

— É preciso fazer um orçamento bem detalhado das despesas ordinárias logo no início do ano para não ter surpresas mais tarde — ensina Ercole Alô, síndico profissional da Protel Administradora responsável por cinco condomínios.

Em todos, Ercole coloca na ponta do lápis não só uma previsão para aumentos de despesas com água e luz no fim do ano, mas também os valores referentes aos dissídios, que acontecem em abril, aos gastos com décimo terceiro dos funcionários e até dos feriados trabalhados por eles.

— Fazendo essa previsão logo no início do ano, a gente consegue cobrir as despesas ordinárias sem ter que aumentar as cotas durante o ano. Isso só vai acontecer em caso de despesas extraordinárias, como vazamentos, e que não temos como prever — diz Ercole.

Mas até esses casos podem ser evitados, como lembra Edison Parente, da Renascença Administradora. Segundo ele, um fundo de reserva bem gerido pode ser a salvação dos condôminos num momento de emergência:

— É preciso saber onde investir esse dinheiro, que no geral fica parado, para ter bons lucros. Os bancos estão cheios de opções. Um bom administrador sabe escolher o melhor para o seu caso.

Outras alternativas para a manutenção da saúde financeira dos condomínios são as campanhas de conscientização dos moradores. É sempre bom alertar para pequenos problemas que podem acontecer nos apartamentos e que devem ser resolvidos logo: a válvula da descarga que vaza, a torneira que pinga sem parar. Fiscalizar o prédio para evitar deteriorações que causem gastos com manutenção ou pequenas reformas e pesquisa de preços também são fundamentais.

— É como a dona de casa que vai a vários mercados para encontrar os melhores preços. O síndico deve fazer a mesma coisa em suas compras para evitar gastos desnecessários. É a boa gestão dos recursos que faz o bom síndico — finaliza Parente.